Por inúmeras vezes se falou do tão controverso Acordo Ortográfico a estabelecer entre Portugal e os PALOP’s. O assunto é delicado, especialmente quando toca a destruir a língua mãe em prol de dialectos previamente misturados com línguas nativas.
Já tomei a liberdade de assinar o abaixo-assinado online contra este assassínio da Língua Portuguesa, isto porque o que mais tarde verificaremos é que a Língua Portuguesa (de Portugal) desaparecerá e dará lugar a um Português-Abrasileirado. E eu continuo a não entender (nem quero) o porquê de tanta pressa em matar a maior riqueza do Zé Povinho – a sua língua.
Seria Fernando Pessoa da mesma opinião?
Estudei este ano a sua Mensagem, que nos transmite a estóica profecia de um Quinto Império – o da língua e cultura portuguesas, renascidas após o decepcionante desenrolar dos Descobrimentos que foi a morte de D. Sebastião (sim, aquele que há-de aparecer numa manhã de neblina, e que já anda nisso desde 1578) e que abriu portas a uma crise de sucessão que quase nos custou a nacionalidade!
Estaria Pessoa a vislumbrar neste Acordo Ortográfico o renascimento de Portugal? Certo é que Portugal se encontra – há já muito tempo – num estado de decadência e, para alcançar o novo império é necessário sonhar… O bom disto tudo é que esse mesmo império não pode ser destruído pois não é material, é espiritual.
Eu continuo a achar que esse império já chegou há muito tempo! Temos uma língua e uma cultura singulares a defender. E mesmo que Portugal ainda fosse do Minho a Timor, as diferenças linguísticas continuariam a ser uma riqueza e não um obstáculo como nos querem fazer crer!
Será que se esqueceram de que o Português é a única língua que contém a doce palavra saudade?
Gosto de ouvir a Cesária Évora cantar a Sodade, mas tenho plena consciência de que quem levou essa palavra para a sua terra foi um português de alma lusa que, ao vislumbrar o maravilhoso Cabo Verde, pegou nas palavras, fez amor com elas e nos trouxe a riqueza dos sotaques.