Não bastavam os nervos normais desta decisiva fase de candidatura ao ensino superior para me atormentar.. hoje fiz uma autêntica reportagem involuntária sobre o serviço público educativo!!
Pois bem, vou contar-vos a história desde o início!
Resolvi candidatar-me pela Internet ao Acesso ao Ensino Superior. Reuni password, folha ENES, tudo o que seria considerado necessário para realizar tal processo de forma bem sucedida. O meu maior problema foi ter-me surgido uma dúvida sobre o preenchimento de uma parte da candidatura. “E agora? O que é que eu faço?”, questionei-me… “Bem, se eu for à Secretaria devem poder esclarecer-me!”.
E lá fui eu, gastar solas de ténis e calorias para a Escola, rumo a um simples esclarecimento… o resultado foi uma verdadeira romaria à “Senhora da Asneira”. Imaginem a situação, se conseguirem: chego à
Secretaria e, de forma cordial, explico que tenho uma dúvida no preenchimento da Candidatura Online… e respondem-me que, dado não terem contacto com esse processo de candidatura, não me podem esclarecer! Nem se dignaram a indicar-me alguém que possivelmente me pudesse ajudar na Escola, remetendo-me para contactos telefónicos. E lá voltei eu para casa, voltei a gastar solas e calorias, e não resolvi o meu problema!… Pesquisei na Internet, fiz perguntas no fórum dos Exames.org, que me remeteu para um texto em PDF (nada esclarecedor, também!).
Almocei extremamente irritada mas, determinada a resolver a situação, pensei “Bem, se aqui não sabem esclarecer, vou ligar para Castelo Branco, pode ser que saibam, já que é lá que se entregam as candidaturas em papel!”… Oh! Como eu estava enganada! Após atenderem o telefone e, educadamente, transferirem a chamada e me terem posto a ouvir música, um senhor atendeu-me (parecia-me apressado) e, assim que falei em Candidatura Online, meu Deus! Despachou logo a conversa dizendo que não sabia nada sobre isso, apenas que tinhamos de ter password…Para tentar ligar “para Lisboa!”. Agradeci e desliguei a chamada com cara de parva…” Onde é que eu me vim meter?”.
Entre as chamadas e, enquanto ouvia música e esperava, pensava para comigo: e se eu não tivesse meios de entregar os papéis em Castelo Branco e só tivesse uma hipótese única de me deslocar a algum local para me inscrever online? E se, à semelhança de tantos outros alunos, nem tivesse telefone ou telemóvel? A única resposta que o meu eco interior me trazia era “Não te candidatavas..não ias para a Universidade… só porque não há uma única pessoa no teu Distrito que informe!”. Tenho vergonha da situação a que a educação portuguesa está a chegar, confesso, é de levar ao desespero!
Finalmente, antenderam a minha chamada em Lisboa. Expliquei a minha situação e lá me voltaram a transfeir a chamada, lá voltei a ouvir música, vozes, muitas vozes, parecia mesmo um call center! Um senhor deu “sinal de vida” do outro lado da linha e eu lá voltei a expôr a minha dúvida e…ALELUIA!! Esclareceu -me! Finalmente pude acabar a minha candidatura e enviá-la!
A minha dúvida era: no ponto 3 [Exames], devo colocar os resultados dos exames todos que realizei ou apenas das disciplinas específicas para o curso? Resposta simples! Podemos pôr todos, pois ao receberem a nossa candidatura, vão verificar quais e como satisfazem melhor a média para candidatura.
Agora que já vos contei a minha aventura educativa neste jardim à beira – mar plantado que é Portugal, quero apenas deixar algumas questões (talvez para reflectir):
- Seria muito dispendioso para uma escola, durante esta fase de candidatura, disponibilizar um “gabinete” para apoio e esclarecimento de dúvidas?
- Porque é que só na capital é que sabem as respostas? Haverá algum tipo de problema no sistema de comunicação do Ministério da Educação para as Escolas do Interior?
- Seremos filhos de um Deus Menor?
Aqui fica a minha história..se quiserem contar a vossa ou alguma que conheçam neste âmbito, disponham! Pode ser que alguém do Ministério [era bom que fosse a Senhora Ministra] passe aqui por engano e se envergonhe do que NÃO FAZ.
Milipa